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Eu Sou Uma Líder – E Precisei Me Permitir Dizer Isso

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Então, não sei nem por onde começar esse texto… e na verdade, nem iria escrever assim… mas decidi esvaziar a cabeça.

Esse pensamento que vou colocar no “papel” veio durante uma atualização que eu estava fazendo, estudando… e provavelmente não é aquele texto lapidado que você está acostumado a ler.

Ainda assim, te convido a continuar aqui.

Estou me atualizando sobre liderança feminina e habilidades comportamentais. Durante uma aula eu me lembrei de algumas experiências que vivi quando comecei em um cargo de liderança. A primeira lembrança foi essa: “uau, você é/foi líder de um time? Uma liderança em tecnologia?”

Pois é, como uma mulher preta e jovem na tecnologia, muitas vezes isso é uma surpresa… e foi uma surpresa para vários colegas de profissão. Me vi “obrigada” a usar minha carteirada que é: que isso?! Eu vim de tecnologia, trabalho na área há mais de 13 anos! <risos>

Tirando a necessidade da carteirada, eu percebi que nunca falei abertamente sobre isso: ser líder em tecnologia. Eu sei meus motivos disso e as situações de carteirada. O que eu preciso que você saiba neste momento, é que eu estava muito ocupada exercendo um papel de liderança pela primeira vez. E o meu foco nessa primeira experiência foi tirar o máximo de aprendizado possível porque foi A oportunidade que eu precisava para saber se consigo mesmo cumprir com o que eu tanto sonhei que é liderar um time em tecnologia.

Sim, um sonho! Eu sou uma líder nata, mas esse é/era um sonho. Pronto, é essa a verdade. Parece mesquinho? Parece…, mas vou te contar de onde isso veio.

Eu sempre fui: representante de turma, secretária de conferência na igreja, organizadora e coordenadora de eventos. Quando adolescente, eu tive meu próprio negócio de aula particular para mais jovens que eu no lugar que eu morava. Meus pais, me ensinaram a ser independente desde sempre. Ambos trabalhavam de plantão e ambos tinham algum outro negócio para gerar renda extra. Isso construiu nossa casa e construiu quem eu sou hoje. Essa é minha história.

Até aqui, tudo certo… eu tinha a confiança que eu sou uma líder nata. Quando comecei, na tecnologia continuei seguindo para construir meu espaço e alcançar a liderança.

Agora chega o desafio, quando cheguei no mercado, essa minha habilidade não foi bem-vista e muito menos reconhecida. Fui confundida com uma pessoa ‘em posição de liderança’ inúmeras vezes. E quando estava num cargo de liderança passei por aquelas situações de “ah é você”, mas isso é outro assunto.

Obviamente que quando eu comecei, não havia possibilidade de eu chegar e já ser reconhecida como líder. Um líder precisa de experiência de vida, de mercado e de carreira. Mas após alguns anos de vida, mercado e carreira, me faltava a habilidade de ser líder de mim mesma. E principalmente de mostrar isso.

Aqui, eu já começo a te mostrar o conceito principal para você tirar dessa leitura.


Os três níveis de liderança para o sucesso

Demorei alguns anos, e muitas sessões de terapia, para entender o primeiro nível. Que é a base mais importante: você mesma. Sem entender isso, a minha tal liderança nata vai embora… e foi embora algumas vezes na minha primeira experiência como líder técnica de um time.

Os níveis são três: líder de si mesmo, líder da equipe e líder do negócio.

Não vou detalhar os níveis agora, vou trazer a minha experiência. Num próximo artigo, falamos mais deles, combinades?!

Sem ser líder de mim mesma, não tive condições nenhumas de continuar buscando a liderança. Eu achava que estava mostrando que sou líder de mim mesma sendo disciplinada e fomentando um ambiente colaborativo. Mas, na verdade, isso foi uma parte da vivência.

A outra parte, que poucos comentam, é o ponto fraco. Em momentos favoráveis, UHU tudo certo! Em momentos difíceis, eu sou direta e prática… e por isso, muitas vezes sem percepção do outro ou do momento. Acabo falando demais ou aflorando algo que deveria ser abafado. Então, nos momentos difíceis, essa liderança de mim mesma virava CAOS. Eu reconheci e reconheço esse ponto de melhoria, faz parte de mim. Ainda estou melhorando e sei que não existe perfeição: estou aprendendo a lidar com minhas fraquezas em liderança.

Uma boa líder precisa saber se controlar em momentos difíceis e mostrar que as coisas vão ficar bem. Eu já sabia disso. Mas não como líder, era “apenas” a desenvolvedora sênior que puxava o time junto com a liderança.

Quando chegou a minha vez, eu me assustei e, confesso, eu quis desistir de liderar. E de tudo mesmo, bem assim, no susto.

Desistir não foi uma opção. Pedi um tempo ao time e, principalmente, pedi ajuda. E com o tempo que pedi, eu descansei, entendi o que estava acontecendo, conversei com pessoas de confiança. Entendi a situação, pedi ajuda (pedi socorro!), conversei e conversei várias vezes com todas as pessoas envolvidas. E assim, as coisas caminharam. Saber ser líder de mim mesma e reconhecer até onde dava para eu ir: foi essencial.

Uma boa líder, precisa, minimamente, saber se colocar e se controlar diante das dificuldades. Isso não significa “não pedir ajuda” ou “não ser vulnerável”. Muito pelo contrário, na minha visão, significa ser disciplinada com os próprios compromissos e os compromissos dos liderados. Somos humanos que erram e aprendem, acima de tudo.

Tive algumas dificuldades nessa primeira experiência como liderança… o que fez ser mais fácil, foi ter um time de líderes técnicos comigo. Foi observando o trabalho deles, cada um e como eles lideravam, que eu mais aprendi. Tirei várias dúvidas, fiz perguntas que pareciam idiotas e eles sempre me acolheram e responderam.

Entendi que quando eu estou cansada, por mais que eu queira resolver os problemas do time, eu preciso descansar. E confirmei que falar isso para o time, não é um problema… eles também me acolheram. Quando estive sobrecarregada com as minhas próprias responsabilidades e outras acumuladas, eu aprendi na prática diferença entre delegar e delargar. Aqui cabe outro conteúdo, mas esse fica para a próxima!


O que eu quero deixar aqui… é que sim, eu sou uma líder. E hoje, sou uma líder técnica que não tinha se preparado para dizer isso em voz alta, estava só sonhando. Me emociono fechando esse texto. Pois, foi um desabafo para mim mesma e uma tentativa de compartilhar a minha experiência com você.

Se você trabalhou comigo como líder técnica e se lembra de algo, gostaria que você compartilhasse (sinto sua falta).

Se você, não fazia ideia de que eu estou nessa jornada de buscar a liderança, BEM-VINDE!

Vamos comigo nessa nova jornada da minha carreira?


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